Quarta-feira de cinzas e outros poemas

Oleg Almeida

Poesia

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R$29,00

Quarta-feira de cinzas e outros poemas

Sinopse

A rainha do carnaval, a cinderela do semáforo, a volúpia terna dos primeiros amores são algumas imagens capturadas pela pena fluente de Oleg Almeida, que faz com que passado, presente e imaginário se encontrem em verso. Como no despertar de um sonho, nesta Quarta-feira de cinzas ecoa a memória saudosa de um paraíso perdido. Dessa furiosa nostalgia surgem sonetos e baladas a um amor distante, poemas noturnos – densos e intensos, até os haicais urbanos, leves, líricos e minimalistas. Uma poesia simultaneamente marcada pela intensidade, emoção e pelo sofisticado trabalho com a linguagem. Com sensibilidade e perícia, Oleg Almeida deixa transparecer a sua formação erudita no ofício poético vincado pela atenção à métrica e simetria. Mas, por trás dessa erudição, surpreende-nos com um olhar atento ao cotidiano, com a ousadia de quem aposta no novo sem rejeitar a tradição, eternizando a fúria e o frenesi de um carnaval na forma – perfeita e única – de poema.

Resenhas

A poesia de Oleg Almeida Livro: Quarta-feira de Cinzas e outros poemas. Rio de Janeiro: 7Letras, 2011


Oleg Almeida é bielorrusso, mas escreve poesia em português. Poesia com P. O poeta incorpora o português dos livros, o nosso tão propalado idioma culto e o matiza com seu olhar cortante de quem mergulha na língua do outro, na cultura do outro, enfim, no Outro.


Olhar que não rompe, não nega, ao contrário, reafirma a força da língua ao lapidá-la com as mãos de artista e com a poesia que emana do silêncio de sua língua original.


O poema de abertura Prólogo, que também poderia se chamar Autorretrato (http://www.olegalmeida.com/auto-retrato_8.html), é uma apresentação do poeta: “um híbrido de palhaço e filósofo”. A ironia neste poema é também música (http://www.olegalmeida.com/poema_i_40.html): “...Onde estarão/   meu pequeno inverno,/ meu grande verão,/   meu passado feliz?/ – Não sei... /Meio palmo da virgem à meretriz,/   e longe daqui Sião.”


No poema Quarta-feira de cinzas – esse dia de luto que subjaz ao espalhafato em pleno carnaval – basta fazer um recorte nas imagens festivas que a realidade emerge do barulho e das cores com tantos personagens quanto nosso olhar possa suportar: rainhas, artistas, garis... Ser gari ou ser artista/ – eis o lance! (...)/     Desse modo, ambos limpam/: fora um e dentro o outro;/   não importa que não gozem,/   ao contrário dos artistas,/   os garis de muita fama. Quando o lixo toma conta/   do que foi naturalmente/   limpo, é mister tolhê-lo/   com vassoura ou catarse!/    


Poesia não é truque de gente mimada e egocêntrica. Poesia brota da experiência insana de romper limites internos e externos, e ir buscar a essência (que pode ser o lixo) – essa musa esquecida pelos homens, mas tão desejada por filósofos, cientistas e poetas.


O poema Meu nome é uma luxúria que desperta em qualquer leitor o desejo de criar o seu próprio poema e transformar seu nome no mote para a poesia.


Oleg envereda também para os Haicais. E aí temos uma porção deles – deliciosos (http://www.olegalmeida.com/poema_ix_43.html)! Quem não agride, /ao sair do cárcere,/   a liberdade? Oleg só não foi feliz ao intitular seu livro, talvez por excesso de modéstia. O poema Quarta-feira de cinzas é apenas a porta de entrada para o prisioneiro recém-libertado, lúcido e valente que, em sua árdua e tonta caminhada, desafia a linguagem e arranca dela a poesia. Para mim, este livro se chamaria Loucura em sol menor. Há muito que se analisar neste belo livro, mas como não sou técnica em literatura, mas sim escritora e leitora ávida por prazer estético, só posso sugerir a quem nunca leu que procure conhecer este trabalho artístico que muito acrescenta aos nossos ouvidos fartos de tantos mirabolantes e presunçosos textos contemporâneos.


Por: Cida Sepulveda

Informação Adicional

Número de páginas 110
Ano 2011
Formato 14x21cm
Edição 1ª edição
Número da revista
ISBN 978-85-7577-756-5