A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora

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A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora

Sinopse

Gregorio Duvivier, mais conhecido pelo seu trabalho como ator, estréia agora como poeta. Seu talento para o humor, já posto à prova nos palcos e na tela, se imprime também nas páginas de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora.

No livro, esse humor apresenta uma riqueza de nuances, indo do lúdico ao cáustico. Em outros momentos o autor nos brinda com um “delicado toque lírico”, como define Paulo Henriques Britto. Ainda há espaço para brincadeiras com a poesia visual, como nos poemas “a régua e esquadro”. O ecletismo característico da nova geração de poetas brasileiros está presente em A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora. A multiplicidade de referências e os jogos com a linguagem e a forma são traços marcantes dos poemas de Gregorio.

Resenhas

"Pra ser lido como o Gregório escreveu: com emoção e perspectiva, que são a mesma coisa. O jovem - 22 anos ainda é jovem ? - apresenta poesias que vão desde o quase haikai a sonetos. Sonetos, sim senhor, uma bela forma de poesia que nunca voltou. Porque nunca desapareceu. Gregório é um poeta concreto. Não confundir com concretista."

Millor Fernandes

"O livro de estréia do jovem Gregório coloca-se naquele ponto luminoso e vivo onde, nós leitores, queremos estar, como testemunhas de seus poemas que são antídotos contra a poesia morta que se faz hoje no Brasil."
Fabiano Calixto

'Um livro que estou lendo com prazer. Gregório evita o dó de peito e brinca inteligentemente com a emoção. Parabéns."
Ferreira Gullar

"Gregório é um poeta móbile. Com sua particularíssima dicção poética, agrega universos e passeia pela linguagem de várias tribos com desenvoltura e humor. É certo que ainda vamos ouvir falar muito dele."
Heloísa Buarque de Hollanda

"Um livro de estreia muito bom. Não apresenta os altos e baixos costumeiros e a poesia mantém o nível de capa a capa. Gregório Duvivier passa em revista os "modos de escrita" que estiveram e estão em uso na poesia brasileira das últimas décadas sem perder o fio de sua identidade. Melhor: sem perder o fio da qualidade."
Armando Freitas Filho.

"Tornou-se comum observar que a nova geração de poetas brasileiros se caracteriza pelo ecletismo, pelo recurso a uma ampla gama de linguagens, sem aderir a uma vertente específica. O livro de estréia de Gregorio Duvivier não foge à regra: no espaço de poucas páginas o leitor encontrará mais de um eco da "poesia marginal" dos anos setenta — no uso da forma poema-piada e na tematização de experiências geracionais (sendo a rave a atualização do desbunde de outrora) — marcas da poesia visual das últimas vanguardas (nos poemas "a régua e esquadro") e do retorno às formas fixas que caracterizou a geração imediatamente anterior à sua (nos admiráveis "Sonetos úteis para o dia-a-dia", que evocam os "Manuais de instrução" de Cortázar). No entanto, a semelhança familiar não implica falta de individualidade: neste seu primeiro livro, Gregorio já revela uma dicção inconfundível. Sua característica mais evidente é talvez o humor (como seria de se esperar num poeta que vem também se destacando como um excepcional comediante, no teatro e no cinema), que vai do ludismo suave de "Receita para um dálmata" ao tom cáustico de "Unha e carne". Mas um delicado toque lírico também se revela em várias peças, em particular no "Roteiro para um longa-metragem de 4 cenas", poema em prosa em que o jovem poeta faz o inevitável ajuste de contas com sua infância. Em todas as peças do livro, evidenciam-se uma inteligência viva e um bom domínio da técnica do verso, que fazem de “A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora” uma bela estreia."
Paulo Henriques Britto

"Nunca acreditei nos leitores metódicos: livros me desviam, sempre, para outros livros. Interrompi, por exemplo, a leitura de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora (7 Letras), livro de estréia do poeta carioca Gregorio Duvivier, de 22 anos, para buscar uma ideia de Rainer Maria Rilke, o poeta austríaco nascido em 1875. Eu a encontro nas Cartas a um jovem poeta, dedicadas a outro jovem escritor, Franz Kappus. "Uma coisa só é necessária: a solidão, a grande solidão interior. Caminhar em si próprio e, durante horas, não encontrar ninguém – é a isto que é preciso chegar".
Saí em busca do pensamento de Rilke porque, em A partir de amanhã..., o jovem Gregorio (eu podia imitar Rilke, que se refere sempre ao Sr. Kappus, e chamá-lo de Sr. Duvivier, más isso é bastante ridículo) parece desmenti-lo. Os versos de Gregorio Duvivier estão entulhados de mulheres bem vivas (Manuela, Clarice, Ana Catharina, Alice), referências diretas ao contemporâneo, de citações da vida cotidiana. São arcas carregadas do presente.
Mas será que Gregorio abdicou da solidão? Será, mesmo, a solidão algo que um poeta escolhe? Não tenho dúvidas de que a literatura é um voltar-se para dentro – e por isso escritores, às vezes, são tão estranhos. Penso na solidão rabugenta de Bernardo Carvalho, que quase nunca está disponível para nada, ou para ninguém, e vive trancado em seu apartamento em Higienópolis, a escrever e escrever. Em João Gilberto Noll, circulando, arredio e quase invisível, pelas ruas de Porto Alegre, numa espécie de esquizofrenia planejada, grande máscara dentro da qual se aferra a si. Em Manoel de Barros, entre os bois de sua fazenda no Pantanal, sempre desconfiado das cidades e dos visitantes. Em Adélia Prado, enfiada nas sacristias de Divinópolis, ou recolhida em sua cozinha.
Contudo, não existe medida para aferir a solidão: o salto para dentro é sempre singular. Então, por que Gregorio, que tem 22 anos, não pode escrever cercado de belas meninas, refestelado nas mesas de bares, nos decks de piscinas, de corpo inteiro no presente? É claro que pode. E é dessa solidão acompanhada que ele, sem, temer a agitação da vida, tira seus versos. Há algo de muito instável na poesia. A literatura é uma luta, que se agita e agita, sem jamais fazer um vencedor. Tanto que Rilke sugere ao jovem Kappus: "Esforce-se para amar as suas próprias dúvidas como se cada uma delas fosse um quarto fechado, um livro escrito, uma língua estrangeira". E diz mais: "Trata-se, precisamente, de viver tudo”. Pergunto: que outra coisa faz Gregorio?
O combate com a vida – o desejo ardente de ter tudo – sustenta seus poemas. Em um mundo inconsistente, porém, as chaves são sempre imprestáveis. Descobre Gregorio que, muitas vezes, as coisas se revelam mais pela negação do que pela afirmação. Você está diante de um bicho desconhecido e quer saber se ele é um dálmata. O poeta sugere em um de seus belos poemas: "Dê grama ao bicho. Se ele rejeitar, é dálmata. Se comer (e mugir) é uma vaca que tens".
Em um mundo escuro, não de ausências, mas de presenças excessivas, através do que não é, muitas vezes, chegamos ao que é. Função da literatura: desprezar as certezas e inventar cami¬nhos que sustentem o real. Que o reve¬lem? Não: que o amparem. Também as ja¬nelas, Gregorio nos lembra em outro soneto (sim, ele escreve sonetos, desconsiderando a ilusão do tempo), não existem. "As janelas sobre nada / são também nada e não são sequer vistas". No entanto, precisamos de janelas para nos debruçar. De janelas sólidas, que emoldurem o mundo, ou ele deixa de existir.
A poesia (a fala), Gregorio nos diz ainda, não retém a grandeza do mundo. "A boca treme sob o céu", ele diz. "Palavras ditas e reditas / até perderem a sombra de sentido". Depois, fica só o firmamento "a encharcar nossos pés". Aquele resto que é o ser. Inquieta-me a ideia do sentido não como algo que desvela e esclarece, mas como uma sombra que oculta e engana. Em nosso mundo das mensagens publicitárias, das lições de "como fazer" e das instruções de voo, as palavras, de fato, deixam de ser janelas para se transforma¬rem em cortinas. Elas formam, hoje, a grande cerração que fecha o acesso aos objetos. Só a poesia, palavra que destrava a palavra e que agita a língua, pode descerrar algumas fendas.
Os poemas de Gregorio Duvivier trabalham a literatura como um combustível, que arde, e por isso potencializa. Muitos deles são "de amor", mas aqui me voltam as palavras de Rilke ao jovem Kappus: "O amor é a ocasião de nos tornarmos um mundo para ser amado". Poemas de amor, como Gregorio os pratica, não são belas palavras para seduzir a amada, mas facas que destravam o mundo de quem ama. O amor é como o aplauso que (ao contrário do que diz o bom senso) não precisa de um objeto. Mais que expressar uma admiração, o aplauso desenha a face daquele que admira. Escreve Gregório, com sabedoria: "Quanto a gostar ou não gostar do objeto / aplaudido, confesso: pouco importa".
Em sua apresentação de A partir de amanhã eu juro que vai ser agora, o poeta Paulo Henriques Britto destaca o humor que percorre os versos de Gregorio Duvivier. Creio que Britto (um poeta que estou sempre a ler) se deixa ofuscar um li pouco pelas sombras da realidade, já que Gregorio é, também, um bem-sucedido comediante. Prefiro, ao contrário, pensar na tristeza que percorre os poemas do livro.
No meio da vida, ele relata, os astecas sentiam “uma súbita e inexplicável vontade de tomar um trem.” Mas, como os trens ainda não existiam, a tristeza aumentava. Gregorio conclui que a tristeza não é a ausência disso ou daquilo, que também a tristeza não tem um objeto. Ela é “essa vontade de algo / que ainda não inventaram”. Mesmo objeto inexistente que, justamente porque não existe, sacode o espírito dos poetas e confirma a urgência da invenção. Ausência que nos faz sofrer e que nos horroriza? Retorno a Rilke: “Todas as coisas aterradoras não são mais, talvez, do que coisas indefesas que esperam que a socorramos”. Eu diria assim: que esperam que as inventemos."
José Castello

Informação Adicional

Número de páginas 66
Ano 2011
Formato 14x21
Edição 2
Número da revista Não
ISBN 978-85-7577-787-9