Sessentopéia

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Sessentopéia

Sinopse

Mais de 25 anos depois da Marmota Platônica que reunia os textos de suas primeiras publicações mimeografadas, Charles Peixoto apresenta esta Sessentopéia de múltiplas faces – todas elas revelando um dos poetas mais inventivos e criativos de nossa língua.


É com o mesmo talento e a mesma verve já presentes em 1971 em sua estreia com os 100 exemplares de Travessa Bertalha 11 – que ajudou a batizar e a forjar a chamada “Geração mimeógrafo” –, que Charles marca presença novamente em 2011. Entre suas linhas habilmente aliteradas por sinuosas figuras de linguagem, e diante da explosão de sons e ruídos surgidos desde que uma nuvem cigana passou por aqui, podemos ouvir a voz viva do poeta: no verso da margem, oráculo de seu tempo.

Áudio

Resenhas

Charles Peixoto volta à poesia depois de 26 anos sem publicar


Destaque da cena marginal, escritor encerra silêncio lançando hoje "Sessentopéia"


O Globo, 15 de junho de 2011
(Miguel Conde)

Quando pensa nos 26 anos que passou sem publicar poesia, um longo período de silêncio agora encerrado com o lançamento de “Sessentopéia” (7Letras), Charles Peixoto lembra o dia em que deu de cara com pilhas de seu livro “Marmota platônica” (1985) armazenadas no estoque da extinta editora Taurus, no Rio de Janeiro. O escritor que nos anos 1970 se destacava em meio às ruidosas performances coletivas da Nuvem Cigana, núcleo criativo da chamada poesia marginal, e que ainda hoje fala da poesia como atividade gregária, um jeito peculiar de comunicar-se com outras pessoas, sentiu o encalhe da própria obra como uma forma de solidão:

- De repente me deu uma sensação de absurdo: todos aqueles livros sem ninguém para ler. “Nunca mais vou fazer isso”, pensei.

‘Surpresas e porradas'

Já o livro que põe fim à resolução de quase três décadas atrás não resulta de um único instante decisivo, mas de uma série de coisas díspares acumuladas nesse tempo: estímulos de amigos, como o poeta Armando Freitas Filho; conversas com escritores mais jovens interessados em seus livros antigos (“isso me alimenta”, ele diz); e, em primeiro lugar, poemas que nesse tempo foram escritos em cadernos, agendas, folhas soltas, guardanapos, o que estivesse à mão. “Sismograma de um cérebro em surto”, como é definido no poema-título, “Sessentopéia” (o autor fez questão de manter o acento banido pela reforma ortográfica) recolhe, entre as poesias criadas desde 1985, aquelas que “se mantiveram mais próximas de mim”, afirma Charles. Um conjunto escrito portanto dos 36 aos 62 anos de idade, período em que viu sua filha crescer, consolidou-se como roteirista da TV Globo e trocou a estranha roupa-armação de arame onde pendurava os poemas declamados com a Nuvem Cigana pelo figurino mais convencional que se vê na foto acima.

- Usar essa palavra é meio difícil, mas acho que o livro mostra um certo amadurecimento, uma vivência de tudo aquilo que a vida te traz, de surpresas e porradas – diz o autor, que lança o livro hoje às 19h na Livraria Argumento do Leblon.

Entre surpresas (“você me deixa fora de órbita como um satélite em transe”) e porradas (“sabor azinhavre que cobre a cópula com a vida sóbria”), a “Sessentopéia” de Charles Peixoto parece fazer desse amadurecimento uma forma de renovação. Comovido (“a visão da minha filha/me emociona como um folhetim enxuto”) ou irônico (“entulhos nós temos aos montes/(...) lembranças, arrependimentos, vaidades, desilusões/assim sendo: disk-entulho/jogue tudo numa caçamba-canção/e saia a flanar”), o poeta arrisca em verso outra definição sugestiva para seu livro: “páginas da biografia secular de um recém-nascido”.

Informação Adicional

Número de páginas 84
Ano 2011
Formato 14x21
Edição Não
Número da revista Não
ISBN 978-85-7577-785-5