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A fila sem fim dos demônios descontentes
Bruna Beber
- Assunto: Poesia
- Número de Páginas: 64
- ISBN: 85-7577-307-0
Sobre o autor
Bruna Beber nasceu no Rio de Janeiro em 1984. Já publicou poemas, resenhas e crônicas nos sites Paralelos, Cortiça, A Máquina do Mundo, Revista Bala, Na Telona e Cafetina Eletroacústica. É publicitária, mas isso não dá alegria. É autora do blog Mídias Virgens & Condessa Buffet .
Entrevista com Bruna Beber / Click (In)Versos (15/06/07)
DEMÔNIO DE PALAVRAS
Ramon Mel
Conheci os versos de Bruna Beber por acaso, folheando páginas de jornal. Além da qualidade dos poemas, irônicos, o que mais me chamou a atenção foi título de seu livro: A fila sem fim dos demônios descontentes.
Tentei o contanto, primeiro por e-mail, depois por telefone, mas senti um tom blasé e quase desisti. Depois que li o livro, decidi recorrer à editora 7 Letras para marcar um encontro.
Finalmente nos conhecemos na livraria Letras e Expressões, do Leblon. Antes de iniciarmos o papo, Bruna desfez toda a falsa impressão que eu tive. Além de uma sensível escritora, é uma mulher simples e aos 22 anos é totalmente consciente do seu ofício.
Bruna é uma poetisa viciada em café (durante o papo de uma hora, ela tomou cinco expressos!) e internerder. Fornece conteúdo para vários espaços na rede: tem o Bife Sujo – em que escreve sobre tudo; o Cutelaria &Chapelaria - que escreve só poesia; é uma das colaboradores do blog Paralelos no jornal O Globo e já está escrevendo um livro novo.
Ah, ela também é publicitária "mas isso não dá alegria", prefere brincar entre as palavras!
Confira a conversa em que a poetisa soltou os demônios:
Click(IN)VERSOS – Qual foi o seu primeiro contato com as palavras?
Bruna Beber – Ah, acho que desde pequena. Sempre gostei de escrever. Participei de concursos de poesia, saraus, essas coisas todas. Mas, dos 10 aos 16 anos, eu parei de escrever poesia. Depois, aos 17, voltei a escrever e comecei a publicar na Internet. Gosto de "soltar" o poema; acho que ele tem que andar!
Click(IN)VERSOS – Seus pais a incentivaram?
Bruna Beber - Sou "filha única-poeta-e-boêmia", isso é péssimo! Mas, apesar de tudo, tive incentivo sim. Duas pessoas foram importantes nesse aspecto: minha mãe e minha tia, que eu chamo de "Traça", dado seu amor pelos livros. Elas só me davam livros de presente. Hoje em dia meus pais acham o máximo. Eles vêem que pode dar certo, que a filhinha está dando entrevista, aparecendo, e valorizam. Mas arte é sempre conflito na família, né?
Click(IN)VERSOS – Alguém da sua família escreve?
Bruna Beber – Tinha um parente do meu avó. Primo, de não sei que grau, o Jorge de Lima. Escritor e poeta. Autor de vários livros, entre eles Invenção de Orfeu. É dele o poema que deu origem a O Grande Circo Místico, do Chico Buarque e Ruy Guerra. O poema chama-se O Grande Acidente Aéreo de Ontem.
Click(IN)VERSOS – E quais são suas maiores influências?
Bruna Beber - Quando criança, eu lia muito Monteiro Lobato eZiraldo, de Joelho Juvenal à Menino Maluquinho. Li também um monte de livros que minha avó tinha em casa, lia até uns caderninhos que vinham de brinde no Biotônico Fontoura. Cresci ouvindo muita música, MPB, samba de raiz e música brega. Outro dia fiz uma lista com as minhas principais influências, aqui vão algumas:
Beatles, Roberto Carlos, Tim Maia,Jorge Ben, Bob Dylan, Neil Young, Harry Nilsson, Nick Drake, Tom Waits,Otis Redding, Joni Mitchell, Nina Simone, John Coltrane, João Gilberto, NaraLeão, Caetano, Gal, Bethânia...
Click(IN)VERSOS – Quais são as escritoras que você mais admira?
Bruna Beber – Ih, quase não li as mulheres. Tenho certo problema em começar a ler Clarice, por causa dessa idolatria que existe. Hoje em dia toda escritora quer ser Clarice. Não dá, não precisa. Lá em casa temtodos os livros dela, mas estou aguardando o momento para começar. Eu não tenho essa coisa, que coloca o escritor como ele se fosse de outro mundo. De outro mundo por quê? Só pode ser porque somos bizarros. Então, gosto muito da poeta Ledusha e da Elisabeth Bishop.
Click(IN)VERSOS - E dos autores da sua geração, de quem você gosta?
Bruna Beber – Não leio muito os contemporâneos de prosa, masgosto do Joca Terron e da Cecília Giannett De poesia gosto da Angélica Freitas, da Alice Sant'anna, do Sérgio Mello, do Marcelo Montenegro, do Ricardo Domeneck....
Click(IN)VERSOS – Porque o título A Fila Sem Fim dos Demônios Descontentes?
Bruna Beber - É uma frase que vi pichada no Viaduto da Perimetral (não no viaduto do Caju, saiu errado no livro!), e resumia o meu livro. A frase era maior, era A Fila Sem Fim dos Demônios Descontentes no Amor, mas resolvi tirar o "amor". Até então, a frase era anônima, até sair uma matéria no O Globo e o autor apareceu. Mas foi ótimo, ficamos amigos. Ele é um artista plástico de 24 anos, chama-se Gustavo Speridião, faz parte duma turma de streetart, pessoal da UFRJ. Já estamos pensando em algumas frases para fazer outras intervenções urbanas.
Click(IN)VERSOS – Porque você escreve?
Bruna Beber – Não sei por que escrevo, mas me divirto muito escrevendo. Nada de ficar no quarto sofrendo e escrevendo o romance do século. Claro que não escrevo soltando pipa, mas escrevo sem esse tal sofrimento. Não escrevo para ser estudada na Universidade! Tenho um poema que fala sobre isso. Chama-se A Novíssima Literatura. Mas eu acho que caí no próprio feitiço, pois fiquei sabendo que um professor da UFRJ está me investigando.
Click(IN)VERSOS – Você sentiu algum preconceito por morar na Baixada Fluminense?
Bruna Beber – Não, em momento algum. Não rola nenhum preconceito. Sempre circulo por todos os lugares, tenho amigos na Zona Sul, na Zona Norte.
Click(IN)VERSOS – O que você falaria para a galera que desejase aventurar na carreira literária?
Bruna Beber – Acho que a Internet é um bom caminho e o boca-a-boca também. O escritor tem que colocar a "bunda na janela"! A Interneté um bom lugar para conhecer pessoas afins. Não que isso seja uma verdade absoluta, mas acredito nisso.