Sinopse
Na poesia de Andityas Soares de Moura, as referências clássicas dialogam com coloquialismos, resultando em versos de alto impacto e linguagem sedutora. Com talento e sensibilidade, o autor tece em “Auroras consurgem” uma intrincada rede de relações entre o novo e o antigo, o moderno e o erudito. Aludindo a poetas clássicos e textos do gnosticismo, as “auroras” de Andityas se destacam no panorama literário atual pela originalidade e refinamento com que celebram a poesia no aqui e agora.
Resenhas
TRIBUNA DE PETRÓPOLIS, Caderno Lazer, p. 5
1º de julho de 2011
LITERATURA por Fernando Py
AS AURORAS DO POETA
O poeta Andityas Soares de Moura impressiona pelo domínio amplo de idiomas, pela tradução de textos latinos, franceses, galegos e outros, pela capacidade de escrever poesia nesses idiomas. E sua poesia não é apenas, como já tive ocasião de afirmar, o trabalho de um diletante ocioso, mas o produto de um indivíduo interessado nas coisas de sua terra, o Brasil, pois embora domine os diversos idiomas em que escreve, mostra ser poeta de verdade, sabe fazer poesia – e boa poesia. Em seu último livro Auroras consurgem (Rio de janeiro: 7Letras, 2010), realiza uma espécie de louvação do negativismo, na medida em que, no poema emblemático “Língua do fogo do não” (p. 34), enumera diversas coisas que o poema não faz – ou não pode que os outros façam. Ou seja, um elenco de tudo aquilo que os versos não realizam. O poema de Andityas poderia ser tido como um atestado de incompetência, mas, na verdade, é um alerta. Que alerta? Um aviso que previne as pessoas acerca da não leitura da poesia – algo que sempre foi problema ao menos em nossa civilização ocidental. Assim, se as pessoas deixam de ler poesia, a poesia feneceria por falta de leitura? Sim e não, sendo o “não” o mais provável. Portanto, o poeta Andityas, como vários antes dele, se insurge contra esse estado de coisas. E insurge-se com belos poemas, não raro inspirado em outros poetas e prosadores (William Blake, Ovídio, Thomas More, Eliot, etc.), e até em personagens do Novo Testamento (Judas), tudo para reafirmar que, de certo modo, a situação se remedia nas diversas auroras que consurgem, ou seja, aparecem ao mesmo tempo para, juntas, fazerem “desabrochar” um novo dia melhor, infinitamente melhor que os tempos ensombrecidos de hoje. Unindo o passado ao presente, recorrendo a textos antigos e revigorando um verbo (‘consurgir’) praticamente em desuso e quase extinto atualmente, o poeta convoca seus leitores para participarem com ele na luta contra a negação obscurantista que vivemos e proclamar a força da poesia a fim de tornar melhor este mundo. Convém aderir a seu apelo.
Informação Adicional
| Número de páginas | 68 |
|---|---|
| Ano | 2010 |
| Formato | 13x20 |
| ISBN | 978-85-7577-657-5 |




