Amanhã. Com sorvete!

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Amanhã. Com sorvete!

Sinopse

Nas narrativas que compõem Amanhã. Com sorvete!, Assionara nos conduz numa viagem sinestésica em que a literatura é a chave para a ampliação de sentidos. Atravessando o nonsense, percorrendo diversas associações, a sua narrativa une música, cinema, dança pintura, numa experiência doce, fresca, prazerosa. Na mistura de sabores deste sorvete, podemos sentir o eco de Clarice Lispector, o cheiro de Caio Fernando Abreu, o toque sutil de Guimarães Rosa, o olhar de Chico Buarque, o suave sabor de Drummond. Desorganizando e incendiando ideias, a escrita de Assionara pinta o infinito imediato no espaço entre as palavras.

Áudio

Nas narrativas que compõem Amanhã. Com sorvete!, Assionara nos conduz numa viagem sinestésica em que a literatura é a chave para a ampliação de sentidos. Atravessando o nonsense, percorrendo diversas associações, a sua narrativa une música, cinema, dança pintura, numa experiência doce, fresca, prazerosa. Na mistura de sabores deste sorvete, podemos sentir o eco de Clarice Lispector, o cheiro de Caio Fernando Abreu, o toque sutil de Guimarães Rosa, o olhar de Chico Buarque, o suave sabor de Drummond. Desorganizando e incendiando ideias, a escrita de Assionara pinta o infinito imediato no espaço entre as palavras.

Resenhas

O voo da borboleta – Jornal Rascunho – (Janeiro de 2011)


Por Cida Sepulveda


Um texto é uma intervenção em nosso movimento vital, conceito ao qual não me vou me deter porque meu objetivo não é conceituar, mas questionar a leitura que ora experimento, perguntar ao texto sobre sua construção, intenções, crenças, distúrbios, realizações estéticas, enfim, uma infinidade de elementos que o constituem (e a mim).


O livro está posto; comprei-o, chegou pelo correio. Abri a embalagem, ansiosa. O pequeno, capa branca, com ilustração delicada: uma criança em foto preto e branco (tipo envelhecida), sentada num fundo colorido em que se sobressaem o vermelho e o rosa em várias tonalidades; chama-me a atenção e me faz perguntar: por que livro tem capa?


Bobagem talvez. Mas é fato que as capas tendem a nos iludir, tão visuais e peremptórias; compõem de fato o mundo das palavras, esse mundo enigmático que nos desafia para além de si mesmo? Pois bem, esqueça a capa de Amanhã. Com sorvete!, de Assionara Souza, assim como deixe de lado os primeiros ensaios poéticos, como Mímica, O pêndulo sonoro, Órbita dois silêncios, Esboço e Verossímil e entre de corpo e cabeça em Butterfly. Ou melhor, leia os primeiros para se preparar para Butterfly, que é música, poesia, imagem, enredo – é obra-prima!


Depois, leia Dasdô e pegue na mãozinha vermelha do bebê de Dasdô. O texto nos interpela, nos invade, se impõe, com a força que só o belo tem – força estética, alucinógena. A arte é a droga essencial, ouso pensar e escrever. Ouso porque não suporto mais medir as palavras, as intenções, a poesia que perpassa desde o mais cruel ao mais terno ato.


Assionara Souza escreve com atitude, não deixa escapar as várias possibilidades de composição: o enredo é uma linha tênue, mas estrutural, revestida por toda sorte de imagens e sons. E isso não basta, claro. É necessário ter um maestro para a orquestra.


Assionara é a maestrina (eu preferia maestra!) do Amanhã. Com sorvete! –conjunto de 38 textos que arrancam o leitor da mesmice literária e o toca, num processo respiratório-lúdico que causa dor e prazer, ou a dor do prazer, ou o prazer da dor, quem dirá?


Amoras frescas é outro texto de grande valor literário. O trecho a seguir, pode ser interpretado com uma alusão à necessidade da arte pelo ser humano: ouvimos uma música e nos sentimos impelidos a combinar os gestos do nosso corpo com o som que nos chega. Se não cedermos a esse apelo, é possível que nos tornemos petrificados para toda a vida. Qualidade literária é o que vejo no trabalho de Assionara.


Alguns podem argumentar que qualidade é um conceito relativo e, de fato, o é. Mas, para quem trabalha com poesia, essa exigência tem parâmetros bem definidos, ainda que, supostamente intuitivos. Podem argumentar que existem muitos autores que foram desconsiderados pela crítica em dado momento e depois foram reconhecidos e se tornaram clássicos.


Isso não implica a anulação da crítica, nem justifica sua relativização sem limites. Numa sociedade altamente letrada, é importante para a saúde intelectual de sua gente que a crítica seja atuante e que, ela mesma, seja alvo de estudos e investimentos. E quem escreve com desejo e senso crítico, sabe, ou pressente, que seu trabalho é potente e suportará o frio do mundo real, não solitariamente, claro, mas amparado em algumas mãos benditas, que não querem só para si as luzes da ribalta e compartilham do prazer de escrever e ler por desejo, por compulsão vital.


Assionara faz a diferença dentro do contexto literário atual, cheio de trabalhos que se arrogam diferentes, inovadores. Nem tudo que se propõe diferente e inovador o é, porque para escrever com arte não basta dominar fluentemente a língua escrita e fazer malabarismos visuais, rompimentos lingüísticos artificiais. É necessário muito mais do que isso, é preciso chegar ao limiar de si, de onde se pode enxergar, ainda que confusamente, o caos que nos habita, que nos força ao recorte do tempo e á fixação de formas visíveis, legíveis, audíveis etc. – espelhos vivos.

Informação Adicional

Número de páginas 150
Ano 2010
Formato 14x20
Edição Não
Número da revista Não
ISBN 978-85-7577-662-9