A primeira pedra

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A primeira pedra

Sinopse

Ao lançar A primeira pedra, em 2006, Sérgio Nazar David confirma sua verve poética e sua habilidade na escrita, em versos refinadamente coloquiais e sensíveis, que convidam o leitor a se transformar, a entrar no mundo da poesia. Indicado ao Prêmio Portugal Telecom daquele ano, a obra conduz o leitor pelas pedras de barcos negros, procurando a alma nas conchas nas algas, num Fado triste; recolhe pedras em Lisboa, no Líbano, em submarinos e ilhas perdidas, em versos marcados por uma alternância de paixão, reflexão, urgência e nostalgia. Além de Tercetos Queimados (2014), a 7Letras traz às mãos do leitor A primeira pedra (2006, 2014), e Onze moedas de chumbo (2001, 2014), reunindo toda a obra poética do autor, reeditada agora num novo projeto gráfico. A obra reunida dá dimensão e sublinha a importância do lugar ocupado por Nazar David na poesia publicada atualmente no Brasil.

Resenhas

Que alguém a lance, à primeira pedra, a este livro de Sérgio Nazar David, em boa hora reeditado pela 7Letras, e indicado em 2006 ao Prêmio Portugal Telecom. Uma pedra ao mesmo tempo macia e áspera, feita de comoção e deslumbramento. Essa pedra poderia comparar-se àquela outra, inicial, a que edificou templos nossos e foi sendo por nós habitada. Insubstituível e única seria então essa pedra, como é a memória – que regressa sempre, e que, tal como o poema, é multifacetada. E, como o poema a fazer-se, terá sempre a substância da mais dúctil beleza. Regressada sempre outra, nunca igual. Lançar uma pedra é inaugurar coisas, mostrar como a poesia, sendo do tempo, os atravessa e os visita, aos tempos. Em magnificat. E magnificamente. Assim: “E que depois que depois de depois de depois / de amanhã, se não mais houvesse / mundo, um homem ainda assim / amanhecesse esquecendo-se // da noite, e, abrindo a porta, o zimbório, / o fino vão entre as telhas, / fizesse a primeira pedra, / edificando-a como nunca antes fora // pedra alguma feita”. Mas, porque lhe assiste a matéria do “vento, d[o] / puro silêncio, d[o] azeite”, essa pedra pode, como o poema, “andar nas bordas” do “corpo dividido”. E, como o poema, “guarda o que guarda, / isto é vive pra nada”. Nessa dimensão lírica de puro nada, ou justamente por sua causa, o poema vai sendo feito e deposto num lugar de absoluta urgência e insurgência, insistindo a presença do outro, convidando-o a entrar num mundo onde, como dizia outro grande poeta, Mário Cesariny, “só a imaginação transforma, só a imaginação transtorna”. Transformar e transtornar – esta poderia ser também a chave para lermos este livro belíssimo, onde, ao lado de poemas terríficos como “Limite”, se encontram versos comoventes como estes: “O primeiro bicho / que vi num livro / (de que eu me lembre) / foi um elefante. / Mas ele era voador”. Por isso, e afinal, não é preciso que alguém a lance, à primeira pedra. Ela já foi lançada. Que se faça agora em voo –


Ana Luísa Amaral

Informação Adicional

Número de páginas 75
Ano 2014
Formato 14x21cm
Edição 2ª edição
Número da revista
ISBN 978-85-421-0218-5